Saneamento do Pajeú: regionalização, escala e o novo ciclo de investimentos em Pernambuco

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Alinhada ao Novo Marco Legal do Saneamento, a concessão regionalizada de água e esgoto do Pajeú integra as microrregiões do Sertão e da RMR–Pajeú, ampliando escala e atraindo investimento privado.

O avanço da regionalização dos serviços de saneamento básico tem se consolidado como um dos principais vetores de transformação do setor no Brasil, impulsionado pelas diretrizes do Novo Marco Legal do Saneamento.

Nesse contexto, o leilão da Concessão da Prestação Regionalizada dos Serviços de Água e Esgoto do Pajeú, realizado na B3, em São Paulo, nesta quinta-feira (18/12/2025), insere Pernambuco nesse movimento mais amplo de modernização e ampliação dos serviços de saneamento no país.

Estruturado para ampliar investimentos, elevar a eficiência operacional e acelerar a universalização dos serviços, o projeto contempla duas microrregiões com perfis distintos: Sertão e RMR-Pajeú.

Organizadas em blocos independentes, mas com diretrizes regulatórias e financeiras alinhadas, as concessões permitem ganhos de escala, previsibilidade contratual e maior atratividade para o capital privado em projetos de longo prazo.

Objeto do Leilão

O objeto do edital é a concessão da exclusividade na prestação dos serviços regionalizados de distribuição de água tratada e esgotamento sanitário, em cada um dos blocos da área de concessão.

O concessionário será responsável pela operação, manutenção, ampliação e modernização das infraestruturas, observando rigorosamente:

  • As especificações técnicas do edital, contrato e anexos;
  • Plano Microrregional de Água e Esgoto;
  • Toda a legislação e regulamentação aplicáveis ao setor de saneamento.

O modelo busca assegurar ganhos de eficiência, padronização operacional e cumprimento das metas de universalização previstas no marco regulatório.

Critério de Julgamento e Outorga

O leilão será julgado a partir de um mecanismo combinado, que busca equilibrar modicidade tarifária, atratividade financeira e retorno ao poder concedente.

O primeiro critério é o maior desconto sobre a estrutura tarifária de referência, limitado a 5% para ambos os blocos.

Esse limite foi desenhado para preservar a sustentabilidade econômico-financeira do projeto, evitando propostas excessivamente agressivas que possam comprometer a execução dos investimentos ao longo do contrato.

Uma vez atingido o desconto tarifário máximo, os proponentes passam a competir pelo maior valor de outorga, o que permite ao poder concedente capturar parte do valor econômico do projeto sem onerar adicionalmente os usuários.

Valores mínimos de outorga

  • Bloco 1 – Sertão: R$ 87,1 milhões
  • Bloco 2 – RMR-Pajeú: R$ 2,21 bilhões

A combinação desses critérios reforça a disciplina competitiva do leilão, incentiva propostas financeiramente consistentes e contribui para a previsibilidade do fluxo de caixa do concessionário, elemento central para a estruturação de financiamentos de longo prazo no setor de saneamento.

Indicadores do Projeto

Bloco 1 – Sertão

O Bloco Sertão apresenta um perfil de investimento característico de projetos de saneamento focados em expansão e adequação de infraestrutura de esgotamento sanitário, com forte concentração de aportes na fase inicial do contrato.

O CAPEX está majoritariamente concentrado nos primeiros oito anos, refletindo o esforço necessário para ampliar a cobertura, adequar sistemas existentes e atingir as metas previstas no Plano Microrregional.

Do ponto de vista operacional, o projeto atinge um patamar de estabilidade a partir do nono ano, quando os investimentos mais intensivos se reduzem e a operação passa a demandar menor volume de desembolsos adicionais.

O OPEX apresenta trajetória de crescimento gradual até o 20º ano, quando se estabiliza, indicando previsibilidade dos custos operacionais no longo prazo.

As receitas operacionais acompanham a entrada em operação dos ativos e a ampliação da base atendida, com crescimento acelerado nos primeiros anos e estabilização em patamar consistente após a consolidação do sistema.

Como resultado dessa dinâmica, o projeto apresenta um fluxo de caixa previsível, com inadimplência baixa e constante, característica fundamental para a estruturação de financiamentos de longo prazo no setor.

Bloco 2 – RMR-Pajeú

O Bloco RMR-Pajeú possui escala significativamente superior e se configura como um projeto completo de saneamento, abrangendo simultaneamente os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

O CAPEX, substancialmente mais elevado, está concentrado na primeira década do contrato, refletindo a necessidade de expansão, modernização e integração dos sistemas existentes, especialmente nas áreas de maior densidade populacional.

No campo operacional, o OPEX é fortemente influenciado pelos custos de tratamento de esgoto e distribuição de água, que representam a maior parcela das despesas anuais ao longo da concessão.

As receitas operacionais atingem seu patamar máximo em menos de dez anos, alcançando aproximadamente R$ 3,5 bilhões anuais, impulsionadas pela escala do bloco e pela ampliação progressiva da base de usuários atendidos.

O fluxo de caixa do projeto reflete essa fase inicial mais intensiva em investimentos: o déficit acumulado de caixa (FCFF) atinge seu pico por volta do 7º ano, sinalizando o encerramento do período de maior esforço financeiro e a transição para uma fase de geração consistente de caixa.

Resumo Comparativo dos Blocos

Embora integrados em um mesmo arranjo de prestação regionalizada, os blocos Sertão e RMR-Pajeú apresentam características operacionais e financeiras distintas, refletindo diferenças de escala, densidade populacional e escopo dos serviços contemplados.

Do ponto de vista econômico-financeiro, ambos os blocos convergem para níveis semelhantes de atratividade, com Taxa Interna de Retorno (TIR) de 9,09% e break-even do fluxo de caixa livre (FCFF) no 9º ano de contrato.

Esse alinhamento indica que a modelagem buscou equilibrar risco e retorno de forma consistente, mesmo diante de realidades operacionais distintas.

O Bloco Sertão se caracteriza por um projeto mais enxuto, com foco predominante em esgotamento sanitário e investimentos iniciais mais concentrados.

Esse perfil tende a demandar menor volume de capital no início do contrato e apresenta uma trajetória operacional mais estável ao longo do tempo.

Já o Bloco RMR-Pajeú envolve um volume de investimentos significativamente superior, refletindo a abrangência dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário e maior complexidade operacional.

Em contrapartida, o bloco oferece potencial de geração de receitas mais elevado, compensando o maior esforço financeiro inicial.

Em conjunto, a análise evidencia que a estrutura regionalizada permite acomodar diferentes perfis de investidores dentro de um mesmo projeto, mantendo coerência regulatória, equilíbrio econômico-financeiro e aderência às metas de universalização dos serviços de saneamento.

 

Resultados do Leilão

O leilão da Concessão Regionalizada dos Serviços de Água e Esgoto do Pajeú, realizado na B3, definiu vencedores distintos para cada bloco, refletindo a diversidade de perfis e estratégias dos grupos participantes.

Bloco 1 — Sertão

Consórcio Infraestrutura BR, com o Pátria como representante, foi o vencedor do Bloco Sertão, ofertando desconto máximo de 5% sobre a tarifa de referência e outorga de R$ 720 milhões.

O resultado evidencia a competitividade do bloco e o papel da outorga como fator decisivo após o atingimento do desconto tarifário máximo.

Bloco 2 — Pajeú

Consórcio Pernambuco Saneamento, formado por BRK Ambiental e Acciona Saneamento, venceu o Bloco RMR-Pajeú, também com desconto de 5% e outorga de R$ 3,538 bilhões.

A disputa reforça a atratividade do bloco de maior escala do projeto, que concentra investimentos mais elevados e maior complexidade operacional, atraindo grupos com forte presença no setor de saneamento.

Leitura geral do resultado

A definição de vencedores distintos para os dois blocos confirma a flexibilidade da modelagem regionalizada, capaz de acomodar diferentes perfis de investidores e estratégias, equilibrando modicidade tarifária, retorno ao poder concedente e sustentabilidade econômico-financeira dos projetos.

No Bloco Sertão, a vitória do Consórcio Infra BR, liderado pelo Pátria, também marca um movimento relevante do mercado: segundo o discurso do grupo após o leilão, a concessão representa a entrada do Pátria no setor de saneamento, ampliando o leque de investidores financeiros interessados em ativos de infraestrutura social de longo prazo.

Já no Bloco RMR-Pajeú, a vitória do Consórcio Pernambuco Saneamento, formado por BRK Ambiental e Acciona Saneamento, reforça o apetite de operadores estratégicos por projetos de maior escala e complexidade operacional, consolidando o modelo regionalizado como um caminho viável para a atração de capital privado ao setor.

Papel da UNA 

Nossa equipe de Project Finance está preparada para auxiliar empresas interessadas em leilões de saneamento, oferecendo suporte completo na modelagem financeira e na estruturação da captação de capital. Atuamos ativamente na estruturação da melhor solução de equity e dívida, garantindo que a empresa tenha o capital necessário para apresentar uma proposta competitiva, atender aos requisitos do edital e viabilizar os investimentos exigidos pela concessão.

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Fontes

Dataroom do Projeto

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